terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Policiais mortos: aviões que caem todos os anos.

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O que os policiais e seus familiares desejam é que as autoridades tenham o mesmo interesse em desvendar as causas das mortes dos policiais



Policiais mortos: aviões que caem todos os anos.


Estamos todos consternados com a queda do avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellin, Colômbia, onde disputaria a primeira partida da final da copa Sul-americana, e vitimou 71 pessoas.

Aos familiares e amigos, prestamos nossa solidariedade. Todavia, nesse momento de comoção - sem ser oportunista, mas aproveitando a oportunidade de reflexão que a morte coletiva traz – quero reavivar-lhes a memória de que anualmente caem pelo menos dois aviões repletos de policiais debaixo de suas janelas e aos olhos de suas indiferenças, somente no Rio de Janeiro neste ano, que ainda não acabou, 106 guardiões da constituição e dos direitos individuais. A única divergência é que ocorrem em dias distintos.

O que os policiais e seus familiares desejam é que as autoridades tenham o mesmo interesse em desvendar as causas, como ocorre nesses eventos, e se apressem em abrir as caixas pretas que vão acusar as causas de tantas mortes, para evitar acidentes futuros.

Quem sabe essas caixas pretas possam revelar a política equivocada dos governantes, as leis mal elaboradas que protegem marginais, em detrimento da segurança dos policiais e, por consequência, da sociedade, entre outros.

No voo com a delegação Chapecoense especula-se a possibilidade de “pane seca”, ou seja, a falta de combustível. Nas tragédias urbanas que ceifam nossos policiais as causas não são menos primárias.

Quem sabe pudéssemos ver a sociedade mobilizada contra a morte de tantos jovens policiais que, sonhadores iguais aos jogadores de futebol, desejaram como título uma família constituída, apoiar financeiramente seus pais, concluir uma faculdade ou ver seu filhinho nascer. Até mesmo o veterano ceifado pouco antes de chegar ao júbilo da aposentadoria em que planejava, enfim, curtir a sua família e ser um avô dedicado, para resgatar a deficiência que teve como pai, em razão do tempo gasto com o seu trabalho.

Talvez os programas de televisão tirassem um dia para sensibilizar todos, desde o primeiro jornal do dia. Continuaria com os programas matutinos, trazendo especialistas no assunto para um debate.

Nos programas infantis, nesse dia poderia passar desenhos que inspirassem as crianças a ver o policial como seu amigo, para crescer respeitando as autoridades constituídas.

Ao chegar o horário dos programas esportivos, poderiam fazer pautas com policiais que vão aos estádios com seus filhos ou até mesmo de filhos que ficaram sem o seu melhor amigo, o pai, para assistir ao futebol.

Nos vespertinos em vez de fofocas de artistas, poderiam mostrar as esposas e mães desses guerreiros que fazem arte todos os dias para suprir a ausência do policial que ora está na corporação, ora nos trabalhos extras que complementam suas rendas.

À noite, depois do telejornal mostrando o trabalho dos policiais do mundo todo, com infográficos e comparativos da realidade brasileira bem mais difícil, o capítulo da novela poderia ter nos textos dos atores falas que confortassem a família policial e despertassem a sociedade para a necessidade de valorizar esses profissionais.

Para finalizar, o programa humorístico não faria nenhuma piada com a profissão do policial. Nesse dia, pelo menos, eles constatariam que fazer chocarrice com qualquer profissão não tem graça alguma.

Sem ser oportunista, mas aproveitando a oportunidade de reflexão que a morte coletiva traz – quero refrescar-lhes a memória de que nossos policiais mortos são aviões que caem todos os anos.

*Texto publicado originariamente na coluna do Sargento Lago no Portal Stive, de Brasília/DF.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Onde mais está o crime organizado?


A partir de atitudes que contrarie o senso comum, não pode existir ninguém insuspeito


Onde mais está o crime organizado?


A prisão do Vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Luiz Carlos dos Santos, e de outros advogados suspeitos de movimentar o dinheiro do crime organizado, em São Paulo nesta terça-feira (22), além de confirmar o que já se suspeitava, acende o seguinte alerta: onde mais está o crime organizado?

Com a intenção de dominar o sistema, os criminosos decidiram, além de cooptar profissionais que trabalham nos setores de seu interesse, inserir seus membros nos setores onde facilitaria a sua atuação. E isso hoje é uma realidade.

A sociedade brasileira não poderia continuar sendo tachada de intransigente e atrasada por manifestar seu desconforto diante do que já ficou conhecido como “direito dos manos”, cenário em que o cidadão de bem nunca é protegido e a polícia sempre é criticada. Não seria justo viver estigmatizada apenas como alienada política que ainda está contaminada com os métodos da ditadura somente por levantar suspeita contra as ações dos abnegados “ativistas” que transformam infratores em vítimas e cumpridores da lei em opressores. Finalmente se desmascarou a farsa e apareceu a verdade: as leis brasileiras continuam sendo deturpadas para fortalecer os criminosos, e o poder está sendo utilizado para fragilizar as instituições.

No mundo atual, a partir de atitudes que contrariam o senso comum, não pode existir ninguém insuspeito, pois os desvios éticos assumiram proporções inimagináveis e transformam nossas frustrações em angústia e impotência. Nesse contexto desolador, torna-se imperativo reavaliarmos nossa conduta e responsabilidade perante a nação e assumirmos uma postura proativa ao depararmos com qualquer indício de favorecimentos pessoais nas diversas esferas do poder público, principalmente dos legisladores.

É importante que sejamos mais críticos em nossas avaliações para observar e denunciar qualquer pessoa, independente da atividade profissional, seja ela jurídica, eclesiástica, acadêmica, política ou qualquer outra, cuja atuação contrarie o que dela se espere. Devemos admitir que ela possa estar a serviço de interesses escusos e exigir a devida investigação.

Não podemos aceitar passivamente que criminosos presos em flagrante sejam colocados em liberdade; que leis explicitamente favoráveis a bandidos sejam aprovadas; que as autoridades policiais sejam afrontadas e colocados em xeque a partir de denúncias caluniosas.

Mas isso não basta. A vigilância deve ser minuciosa e é preciso muito cuidado com as críticas despretensiosas e gratuitas contra as instituições, pois involuntariamente os interesses do crime organizado podem estar sendo atendidos à medida que se promove o descrédito das instituições, que são a base de sustentação da sociedade.

Não vamos apoiar e ou disseminar a discórdia. A luta deve continuar, os protestos devem existir, porém jamais deveremos servir aos interesses dos fora da lei. Bandido é bandido. E lugar de bandido é na cadeia. Se ficarmos dando voz e garantindo direitos imerecidos a estes, estaremos subtraindo do povo ordeiro e trabalhador a sua garantia de viver num país melhor.

Sejamos cautelosos e atentos, até porque não sabemos onde mais está o crime organizado.

*Texto publicado originariamente na coluna do Sargento Lago no Portal Stive, de Brasília/DF.



sábado, 26 de novembro de 2016

Vernissage+Sarau: Dois Policiais



Aconteceu no último dia 21/11 a vernissage/sarau com o artista plástico Cabo Clayton Silva e o escritor Sargento Lago, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.


Lago fez a leitura de um texto do livro Papa Mike - A realidade do Policial Militar e depois interpretou uma de suas canções, voz/violão,  Somos a Polícia Militar. 






terça-feira, 22 de novembro de 2016

O Armagedom carioca prenunciado


Cansados das críticas e falta de apoio, policiais desabafam nas redes sociais contra tudo e todos que se voltam contra a profissão


O Armagedom carioca prenunciado


A crise política e econômica do estado do Rio de Janeiro, que afetou a segurança e teve desdobramentos drásticos neste final de semana, pode desencadear uma revolta maiúscula, antecipando o Armagedom carioca prenunciado.

As prisões de dois ex-governadores acusados de corrupção e, por consequência, responsabilizados pela falência do estado, agravados pelas ações ostensivas dos marginais, com arrastões e assassinatos de policiais, mais a queda do helicóptero com quatro tripulantes da corporação, transformou a “cidade maravilhosa” em local inóspito.

Minha preocupação está no papel que a polícia vai desempenhar nesse apocalipse: exercendo a capacidade de guerrear, com homens capacitados que sempre teve, ou agindo com a emoção dos salários defasados, a pressão de infiltrados e, ora vejam, de alguns colegas desavisados que estão engrossando sem saber o coro do “quanto pior, melhor”?

Pela internet, companheiros policiais de todo Brasil estão enviando mensagens de incentivo aos irmãos cariocas para que cobrem essa “bronca”. Alguns até se prontificam de lugares longínquos para se alistarem nessa batalha, como se isso fosse possível, exceto se convocado pela Força Nacional.

Esse clamor acrescenta uma carga ainda maior de adrenalina aos irmãos cariocas que, além de toda a pressão que vivem, não sentem a própria segurança para transitar pelas ruas e, por isso, alertam um aos outros: “evitem sair de casa desnecessariamente”.

Outro dia dois policiais foram aplaudidos por terem abandonado o pelotão em que estavam devidamente escalados, na manifestação dos policiais, defronte a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de janeiro – ALERJ. As manifestações de admiração vieram de seus colegas que lá protestavam e depois de companheiros de todo o país pela internet.

Vamos ser responsáveis. Quando eu falei em “Policiais invertendo valores”, no texto anterior, ganhei uma vaia nacional. A primeira veio do meu próprio irmão, policial da ativa. “Por você não estar mais no ‘Olho do furacão’, está fazendo essa avaliação, mas para quem está na guerra diária a visão é diferente”.

Exatamente, por estar nessa condição, tenho a obrigação de ser ponderado, mais que isso, devo alertar os meus companheiros, a começar pelo meu irmão, de que qualquer atitude tomada sob forte emoção é muito perigosa. Quem vai sustentar a família dos dois policias do choque que abandonaram o posto e, muito provavelmente, serão demitidos? E os policiais que poderão ir para a cadeia, caso cometam excessos, motivados por essa massa inflamada? Quem irá aparecer para amparar os seus familiares? Raciocinem.

O que temos a fazer nessa hora é manter os ânimos serenos e contribuir com boas ideias, caso tenhamos, e dar apoio moral aos nossos companheiros distantes para que consigam corrigir esse quadro dramático por que passam.

Estive recentemente no Rio, por duas vezes. Meu amigo, a coisa está pior do que se imagina. Nossos companheiros policiais cariocas são verdadeiros heróis.

Vamos guardar nossa valentia para efetivamente ser uma força a mais para nossos irmãos, enviando mensagens para formadores de opinião e autoridades que possam ajudá-los. Essa guerra de palavras só aumenta o estado de insegurança. Utilizemos nossas armas intelectuais. A distância, serão mais valiosas.


sábado, 19 de novembro de 2016

Policiais invertendo valores



Eu participo de muitos grupos de policiais. Neles, além das exageradas e - por que não dizer desnecessárias cenas de violência que os participantes trocam entre si, tenho percebido policiais invertendo valores.

Quando digo do excesso das imagens, refiro-me à dose suplementar de violência que eles já vivem no seu trabalho. Desculpe a sinceridade, logo mais o corpo vai reclamar disso e poderá ser muito desastroso para a vida de cada um. Basta uma visita na psiquiatria do hospital da Polícia Militar para constatar o que digo.

Contudo, o que tem chamado a minha atenção, e  nesta semana se potencializou, é a quantidade de policiais invertendo valores em comentários sobre situações de que tomam conhecimento.

No Rio de Janeiro, durante a justa manifestação dos policiais contra o pacote do governo que quer diminuir o salário dos servidores, um grupo de manifestantes expulsou do local o jornalista Caco Barcellos, com xingamentos e agressões físicas.  Na reprodução das imagens nos grupos, li impropérios e escárnios ao profissional, que segundo seus opositores “defende bandido”.

Primeiro, achei uma covardia extrema agredir um homem de 66 anos em pleno exercício de sua profissão. Segundo, a profissão dele é esta. Se concordamos ou não, é outra questão. Quantas pessoas criticam as abordagens policiais erroneamente?

Na outra situação que, novamente, vi policiais invertendo valores, foi quando exibiram uma imagem do programa Encontro, apresentado pela Fátima Bernardes. Numa pesquisa entre os presentes, queriam saber qual seria a prioridade de atendimento: Se ao policial levemente ferido ou ao traficante gravemente ferido. Claro que, usando do bom senso, a maioria respondeu que seria o traficante. Foi o suficiente para dizer que a apresentadora e a emissora dela defendem bandidos, etc.

Eu até admito a possibilidade da intenção de má fé da pergunta, mas a questão é muito clara. Se eu como policial não souber qual a prioridade de atendimento numa catástrofe, poderei salvar quem já estava salvo e perder vidas que daria tempo de salvar, caso tivesse feito a escolha certa ao priorizar o atendimento.

Vivemos dias de más notícias diariamente. O brasileiro está esgotado com tanta roubalheira e descaso dos governantes; mas ,se permitirmos que esse caos influencie nosso bom senso, veremos com mais frequência policiais invertendo valores.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Vernissage / Sarau: Dois Policiais

Estão todos convidados para a Vernissage/Sarau: Dois Policiais, com Cabo Clayton Silva e Sargento Lago